Hoje, Dia da Mãe, oferecemos à nossa algo muito especial. A minha mãe tem 83 anos, sofre da doença de Parkinson - diagnosticada por ela própria, mulher sempre extraordinária e fora do seu tempo, no preciso momento em que se havia acabado de reformar, depois de uma carreira incomum em domínios masculinos onde deixou uma marca legítima e especial... Agora é prisioneira de um corpo que não corresponde a uma mente que se mantém ágil e ocupada, fazendo o meu atento pai as vezes dos membros que se recusam a colaborar.
Quando tinha cerca de 10 anos, a avó Ilda com o hábito de tudo dar, considerou-a fora de idade para brincar e por essa razão desfez-se do brinquedo favorito dela em prol de uma priminha mais pequena que nesse dia calhou passar lá por casa. A ela deu-lhe um desgosto sem tamanho e ao longo dos tempos, todos nós, ouvimos vezes sem conta, a discrição de uma pequena cômoda de madeira, de pernas torneadas e gavetas que abriam e fechavam, prenda de um tio querido, habilidoso carpinteiro. E o mundo é redondo... Há uns meses atrás a cômoda acabou por vir parar às mãos da Ana através da dita prima, agora uma anciã que ainda se recordava ter sido a Eulália a primeira a possuir o brinquedo.
Chegou quase sem cor, com um dos puxadores das gavetas partido e um tampo que acusava muitas horas de brincadeiras e poucos cuidados. Levei-a ao Serafim da "Peça Única" que restaura de forma maravilhosa e que fez um trabalho magnífico, restituindo à cômoda o seu primário aspecto e proporcionando à minha mãe, absoluto prazer.
e nunca via Mamã tão feliz com uma prenda do dia da Mãe!
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