domingo, 10 de agosto de 2014

Voltinhas...

Quinta-feira partimos os quatro para dar voltinhas.... Deixamos um Simba cabisbaixo em regime de pensão completa na Quinta das Tílias e fomos até Pateira de Fermentelos, lagoa grande, anichada no centro de Portugal, bonita e tranquila. Nessa noite dormimos na Estalagem à beira d'água, dona outrora de confortos modernos e que, no seu modo antiquado, recebe ainda acolhedora....Daí visitamos o Museu Marítimo de Īhavo e seguimos para a Veneza Portuguesa..Fiquei surpreendida! Pululavam turistas (espanhóis e franceses principalmente) e os famosos canais, agora translúcidos, eram cruzados pelos moliceiros coloridos, cheios de gentes curiosas que faziam ao sol de Agosto um percurso ainda longo. Comemos barricas de ovos moles na Confeitaria Peixinho (a mais famosa da cidade) e seguimos para o bacalhoeiro Santo André, amarado de forma permanente nas docas da cidade,  em romaria de saudades...Era uma vez, há muitos muitos anos atrás,  um jovem Praticante (de Piloto), 22 anos de idade, que, saído da Escola Náutica infante D Henrique, aceitou fazer parte da tripulação do navio David Melgueiro, o maior arrastão clássico do mundo....  Durante quatro meses o Luís viveu no meio dos homens de barba rija, partindo do porto de Aveiro para enfrentar o Atlântico Norte e pescar o bacalhau. Fez uma única paragem (de 48 horas), em St Jonhs da Terra Nova.... Nessa viagem compartilhou o camarote com o eletricista e levou como companhia um monte de cassetes de música e um rádio gravador.... O fim da campanha, para além de muitos quilos de peixe, trouxe-lhe a convicção de que só voltaria a  repetir a proeza uma vez mais antes de se voltar definitivamente para a Marinha Mercante...

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Chiado...

... ao fim da tarde de sábado é um programa fantástico! Ok, ao principio da manhã também e durante a semana, na Primavera, no Outono e no Inverno. Adoro! Tenho sempre a sensação que me encontro aí pela primeiríssima vez, espantada por este Portugal moderno e antigo e observo com renovado interesse a arquitetura, as pessoas, as lojas, as igrejas (desta vez entrei na dos italianos que de nunca tinha ido antes), o chão, a Vista Alegre (ai meu Deus, que peças tão lindas e caras), os africanos a dançar capoeira e a fila imensa nos meus gelados favoritos (como morango, baunilha e chocolate como se ainda tivesse oito anos e na paleta dos gostos fossem estes os únicos...)...
Desta vez subimos até ao miradouro e passamos pelo instituto do Vinho do Porto...Lembrou-me os diversos esforços da Beatriz para me criar algum gosto pelo álcool... "Alex, o vinho do Porto é uma instituição e uma obrigação para todos os portugueses... Vai provar um branco, especial..."... "O quê, nunca bebeu uma cerveja? Vamos ao bar irlandês onde se vendem umas belgas com todos os sabores de frutas  que consiga imaginar..."...Adoro a Beatriz, mas nunca consegui fazer-lhe a vontade neste campo..
Jantamos um óptimo hambúrguer no H3 e voltamos a pé para a baixa, passando por cantos e recantos, praças e ruas encantadoras e muito bem recuperadas...
Excelente programa!


sábado, 26 de julho de 2014

Notas de Viagem

O Verão chegou. E com o Verão, as usual, chega também a pergunta do costume "Gorda onde queres ir de férias?".
A memória humana é realmente um prodígio, ou talvez a minha precise de uma memória só para ela porque, esquecida da senda de anos anteriores, embarco numa canoa de respostas que me levam solitária a lugares imaginados sejam estes aqui ao lado ou mais longe.... As minhas férias imaginárias são sempre diferentes daquelas que na realidade a família necessita para recarregar as baterias para o novo ano escolar e profissional...  Entretanto, este ano, quase quase que consegui os meus intentos quando o Luis, já desesperado (estamos em fim de Julho e somos os únicos que continuamos sem destino e hotel marcados), encontrou, via net, um lugar absolutamente paradisíaco, holístico (sim, sim, massagens a dois, pores-de-sol magníficos, passeios a cavalo e mais não digo porque me assaltam de imediato saudades do ainda não vivido), ao lado da minha praia absolutamente preferida em todo o Portugal, a Praia do Amado! Hip hip hurra!!!! Só que o grande "MAS", antes do definitivo "ENTER" explodiu exatamente em "espera aí que não tem piscina"!!! Ainda gemi que a praia era ao lado, mais saudável e agradável... "Sim, claro, para nós os dois e os miúdos?" E pronto! Agosto à porta, a busca continua!!!

terça-feira, 27 de maio de 2014

Vem ter comigo...

...à Rua Particular, entre um escritor e um mandarim. Foi desta maneira que a Teresa enviou o SMS ao Gonçalo, no próprio dia do seu natalício aniversário! Ele pensou que ela lhe tinha preparado uma surpresa do género marota, num estaminé no mínimo duvidoso, quando, na realidade, doce e atenta, tinha reservado um quarto especial no Hotel Estoril... A Teresa é assim, completa de improvisos e imaginação... Está sempre a inventar novos pormenores que dão cor à vida de casado do Dongonca...
Na sexta jantamos com eles no apartamento em Cascais, lindamente decorado, com um toque de Marrocos (que ambos adoram de tal forma que o escolheram para a lua-de-mel tipo Paris Dakar, com paragens ancoradas em românticos riads, mesmo logo após um invulgar casamento muito à moda da aldeia onde, nem o pé de dança com o grupo folclore trajado a rigor, faltou)...
Uma deliciosa comida num ambiente descontraído e agradável... Foi bom. Obrigada queridos amigos.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

O inventor da realidade

Antes de falar no meu amigo Salvador que inventa no seu dia-dia novas realidades não se limitando à limitada realidade quotidiana, tenho que fazer uma rápida nota sobre uma notícia que acabei de ver/ouvir na TV... Um desenho animado dinamarquês que se tornou viral, sobre um anti-herói de dentes amarelos (certamente nunca usou um aparelho em dias de sua vida), peludo, feio, punhos fortes e músculos exagerados que montado em dois golfinhos (pareceu-me!) muito mal encarados, leva (à pancada, não distinguindo nem homens, nem mulheres) eleitores renitentes às urnas para a próxima eleição do Parlamento Europeu... Aparentemente é um incentivo ao voto!!!! Fiquei estupefata!
Sobre o Salvador.. telefonou-me ontem a propor um café que aceitei para um dia destes.... Contou-me que tinha iniciado uma nova estória (escreve, já tem várias edições de autor nas prateleiras dos amigos e admiradores) e que por isso se tinha lembrado de mim... Há muitos, muitos anos atrás eu pedi-lhe que escrevesse um conto de fadas e ele assim o fez, à sua maneira, muito cheio de filosofia e ironia... O Salvador trabalha para uma empresa nacional onde subiu por mérito próprio, mas nunca deixou de cantar, compor e organizar... Ultimamente dedica-se inclusive à cozinha porque (confidenciou-me), a paisagem que desfruta por sobre o Sado da janela, inspira-o... Assim como o facto de durante a semana se passear pela linda Lisboa o deixa livre para apreciar de modo vivido e curioso o fim-de-semana em Setúbal... Acha piada à investida matinal nas riscas enviesadas da Av. Luisa Todi e toma café agarrado ao jornal da cidade, às noites em tertúlias animadas e aos passeios a pé pela Serra da Arrábida...

terça-feira, 6 de maio de 2014

Regressar...

....é uma palavra que logo à partida implica retrocesso.... Não que no nosso regresso a lusas terras tivesse ocorrido em verdade um retrocesso... Nada do que deixamos ficou na mesma e não adianta eu procurar o pequeno Francisco ainda de colo que levei para o Brasil, o doce Pedro que dizia "fote" ao invés de "forte", um Luis ainda sem cabelos brancos ou uma Alexandra cheia de energia que gostava de enfrentar o desconhecido.... Mudamos todos, a nossa casa mudou, a família e os amigos, o trabalho e a cidade.... Como em tudo mudamos para melhor e pior. E Deus meu, como é difícil regressar. Tão difícil!

domingo, 4 de maio de 2014

Os DAIM para mim....

....são como as cerejas! Pelo menos há um dito popular que diz " a uma cereja segue-se sempre outra" (e que, as " conversas são como as cerejas" e sem dúvida que sim, quando estou com uma amiga querida nunca conseguimos terminar nenhuma e encadeamos conversas em conversas...). No que concerne a estes deliciosos pedacinhos suecos, o um, que se derrete neste momento na minha boca sabe-me a muito pouco... Da ultima viagem do Luís à Alemanha, veio um saco enorme deles que escondeu cuidadosamente e que divide parcimoniosamente de vez em quando... Chamo-lhe mão-de-vaca, mas a verdade é que a balança nestes dois anos tem sido pouco simpática e a moderação deveria estar sempre na ordem do dia.

Hoje, Dia da Mãe, oferecemos à nossa algo muito especial. A minha mãe tem 83 anos, sofre da doença de Parkinson - diagnosticada por ela própria, mulher sempre extraordinária e fora do seu tempo, no preciso momento em que se havia acabado de reformar,  depois de uma carreira incomum em domínios masculinos onde deixou uma marca legítima e especial... Agora é prisioneira de um corpo que não corresponde a uma mente que se mantém ágil e ocupada, fazendo o meu atento pai as vezes dos membros que se recusam a colaborar.
Quando tinha cerca de 10 anos,  a avó Ilda com o hábito de tudo dar, considerou-a fora de idade para brincar e por essa razão desfez-se do brinquedo favorito dela em prol de uma priminha mais pequena que nesse dia calhou passar lá por casa. A ela deu-lhe um desgosto sem tamanho e ao longo dos tempos, todos nós, ouvimos vezes sem conta, a discrição de uma pequena cômoda de madeira, de pernas torneadas e gavetas que abriam e fechavam, prenda de um tio querido, habilidoso carpinteiro. E o mundo é redondo... Há uns meses atrás a cômoda acabou por vir parar às mãos da Ana através da dita prima, agora uma anciã que ainda se recordava ter sido a Eulália a primeira a possuir o brinquedo.
Chegou quase sem cor, com um dos puxadores das gavetas partido e um tampo que acusava muitas horas de brincadeiras e poucos cuidados. Levei-a ao Serafim da "Peça Única" que restaura de forma maravilhosa e que fez um trabalho magnífico, restituindo à cômoda o seu primário aspecto e proporcionando à minha mãe, absoluto prazer.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Que difícil

....encontrar um nome para o novo blog... Pensei em "alex-no-rio" (azul, claro está, não no de Janeiro), "alex-volta-à-cidade" (tipo "Anita em..." e desisti), "alex-no-reino" (como a pimenta) e até pensei em "Costa Azul", mas é tão corriqueira a designação que me desencantei dela no próprio momento em que a conjurei.... Não sei se assim se quedará, mas, por enquanto fica.... Lusitânia evoca em mim verdes e azuis paisagens, outros tempos mais aventurosos e inspirados, portugueses de peito cheio e muitas, muitas esperanças....