domingo, 4 de maio de 2014

Os DAIM para mim....

....são como as cerejas! Pelo menos há um dito popular que diz " a uma cereja segue-se sempre outra" (e que, as " conversas são como as cerejas" e sem dúvida que sim, quando estou com uma amiga querida nunca conseguimos terminar nenhuma e encadeamos conversas em conversas...). No que concerne a estes deliciosos pedacinhos suecos, o um, que se derrete neste momento na minha boca sabe-me a muito pouco... Da ultima viagem do Luís à Alemanha, veio um saco enorme deles que escondeu cuidadosamente e que divide parcimoniosamente de vez em quando... Chamo-lhe mão-de-vaca, mas a verdade é que a balança nestes dois anos tem sido pouco simpática e a moderação deveria estar sempre na ordem do dia.

Hoje, Dia da Mãe, oferecemos à nossa algo muito especial. A minha mãe tem 83 anos, sofre da doença de Parkinson - diagnosticada por ela própria, mulher sempre extraordinária e fora do seu tempo, no preciso momento em que se havia acabado de reformar,  depois de uma carreira incomum em domínios masculinos onde deixou uma marca legítima e especial... Agora é prisioneira de um corpo que não corresponde a uma mente que se mantém ágil e ocupada, fazendo o meu atento pai as vezes dos membros que se recusam a colaborar.
Quando tinha cerca de 10 anos,  a avó Ilda com o hábito de tudo dar, considerou-a fora de idade para brincar e por essa razão desfez-se do brinquedo favorito dela em prol de uma priminha mais pequena que nesse dia calhou passar lá por casa. A ela deu-lhe um desgosto sem tamanho e ao longo dos tempos, todos nós, ouvimos vezes sem conta, a discrição de uma pequena cômoda de madeira, de pernas torneadas e gavetas que abriam e fechavam, prenda de um tio querido, habilidoso carpinteiro. E o mundo é redondo... Há uns meses atrás a cômoda acabou por vir parar às mãos da Ana através da dita prima, agora uma anciã que ainda se recordava ter sido a Eulália a primeira a possuir o brinquedo.
Chegou quase sem cor, com um dos puxadores das gavetas partido e um tampo que acusava muitas horas de brincadeiras e poucos cuidados. Levei-a ao Serafim da "Peça Única" que restaura de forma maravilhosa e que fez um trabalho magnífico, restituindo à cômoda o seu primário aspecto e proporcionando à minha mãe, absoluto prazer.

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